Não existe nada mais gracioso
do que o deslizar do lápis no papel
A alma encontra o caminho para escoar.
Às vezes o olhar está distante
Perdido, em outro lugar
O passo lento, hipnótico
Outro apressado, quase corre
Um passo, uma dúvida
Um comentário, para se aliviar?
Alguém desconectado do mundo virtual?
Olhares perdidos na tela
Quem conversa?
Todos procuram… mas o quê?
Ninguém sabe exatamente
Carregam sacolas
Carregam problemas
Alguém se esvazia?
Comem, caminham, conversam
Talvez alguém sinta
Tropeça, mas não desconecta
Criamos necessidade, sem saciedade
Ver exige ser simples
Parou, olhou, continuou
e voltou a se desconectar.
Analisa, explica, aguenta firme
Se questiona, trava
Só vai se tiver certeza
Percebe o que está bem na sua frente?
Claro que não.
Está ligado demais para perceber
Ou está anestesiado?
Sorri, mas por qual motivo?
Um cachorro passou:
o único presente que eventualmente alguém percebe
Percebe, mas não vê
Ver exige ser simples
e isso é raro.
Quem percebe, não sustenta por muito tempo
Olha para baixo,
procura um pedaço de si?
Se caminha no ritmo do outro,
nunca vai se encontrar.
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