Palavras sobre sentir e existir

Sempre gostei. Gosto de dias de frio também, e sempre me senti na contramão do senso comum por causa disso.

Sempre vi os dias de chuva como um convite à calma, algo que favorece a minha introspecção. E eu adoro esses momentos. É como se a chuva me dissesse: “tudo bem, pode ficar mais na sua, se recolher, desacelerar e processar melhor a vida”. O que eu amo nos dias chuvosos é exatamente isso: não tem para onde fugir.

É muito mais desafiador se permitir esse recolhimento em um dia de sol — ainda mais morando na praia. O sol traz um peso na consciência de ficar em casa.

Tempos atrás, ouvi a Oprah Winfrey dizendo que passa pela mesma coisa: sente remorso de não fazer nada quando o dia está lindo lá fora. Pensei: ufa, não sou a única.

Lembro de quando eu era criança e adorava ouvir o som de uma tempestade se aproximando. O cheiro do momento pré-chuva… Eu sentia alegria sentada no tapete da sala quando a água caía, sozinha e feliz.

Infelizmente, me julguei por isso durante um tempo. Hoje, eu só vivo esses dias como eu quero, sem anunciar para ninguém (apesar de vocês estarem lendo isso agora).

Quantas coisas que você sentia, que eram só suas, e você se julgava porque não via mais ninguém sentindo o mesmo?

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